
IBOV sobe com MGLU3, ASAI3 e CURY3; BRKM5 cai 13% em 25/08
Atualizado: 1 de set.
O Ibovespa encerrou a terça-feira, 25 de agosto de 2026, em alta de 1,55%, aos 174.576,80 pontos. Foi o quinto avanço consecutivo do principal índice da B3. Varejistas, construtoras, bancos e Vale sustentaram o ganho em uma sessão de maior apetite por risco, queda dos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos e recuo do petróleo.
O movimento, porém, teve uma exceção grave. A Braskem caiu 13,11% depois de protocolar pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas e ser retirada pela B3 de vários índices. O dólar à vista recuou 0,23%, para R$ 5,1414.

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Resumo do pregão
• Ibovespa: 174.576,80 pontos, +1,55%.
• SMLL: 2.134,68 pontos, +2,58%.
• IFIX: 3.700,71 pontos, +0,62%.
• Dólar à vista: R$ 5,1414, -0,23%.
• ISE B3: 4.151,91 pontos, +2,36%.
• ICO2 B3: 3.116,23 pontos, +2,26%.
• IDIVERSA B3: 1.459,39 pontos, +2,41%.
• IGPTW B3: 1.284,02 pontos, +2,66%.
• IFES B3: 6.557,60 pontos, +2,19%.
O Ibovespa oscilou entre 171.178,87 e 174.784,92 pontos. O volume financeiro foi de aproximadamente R$ 28,7 bilhões. A amplitude do avanço foi relevante: 73 dos 85 componentes acompanhados fecharam em alta, segundo levantamento do Radar Ibov.
Cinco maiores altas do IBOV
1. MGLU3: +8,89%.
2. ASAI3: +8,18%.
3. CURY3: +7,49%.
4. RADL3: +6,93%.
5. CEAB3: +6,67%.
Magazine Luiza e Assaí: juros menores no exterior favoreceram empresas sensíveis ao crédito
A MGLU3 liderou o IBOV, e a ASAI3 ficou logo atrás. Os juros dos títulos de dez anos dos Estados Unidos recuaram de 4,70% para cerca de 4,63%, enquanto o petróleo caiu. Esse alívio favoreceu ativos considerados mais sensíveis ao custo do capital e ao consumo.
Não foi identificado, nas fontes consultadas, um fato relevante novo de Magazine Luiza ou Assaí capaz de explicar sozinho as altas. A leitura mais responsável é tratá-las como parte de um movimento amplo de varejo e empresas domésticas, e não atribuir a variação a um evento corporativo inexistente.
Cury: construção respondeu ao recuo das taxas futuras
A CURY3 ganhou 7,49%, acompanhada por outras construtoras. Empresas imobiliárias dependem de crédito para financiar projetos e compradores; por isso, tendem a reagir com intensidade quando as taxas futuras caem. O movimento setorial oferece contexto sólido, mas não prova que uma única mudança na curva de juros explique todos os negócios do dia.
A expansão habitacional pode ampliar o acesso à moradia, mas precisa respeitar planejamento urbano, infraestrutura, eficiência energética, qualidade construtiva e direitos de trabalhadores e comunidades. Crescimento do setor não deve ser medido somente por vendas e margens.
Raia Drogasil: alta sem catalisador corporativo isolado comprovado
A RADL3 avançou 6,93%. Não foi localizado comunicado, resultado ou mudança de recomendação divulgado no dia que permita afirmar uma causa única. A ação participou do rali de consumo doméstico, favorecido pelo alívio dos juros globais. Esse é contexto de mercado, não causalidade individual comprovada.
C&A: varejo de moda acompanhou o bom humor doméstico
A CEAB3 subiu 6,67% no mesmo movimento de empresas ligadas ao consumo. A companhia havia apresentado, na semana, planos de expansão de lojas e do canal digital, mas não houve evidência de que um novo anúncio em 25 de agosto tenha sido o responsável isolado pelo ganho.
No varejo de moda, expansão deve vir com rastreabilidade da cadeia, condições dignas de trabalho, durabilidade das peças e redução de resíduos e emissões. Sem esses controles, crescimento pode aprofundar os danos sociais e ambientais associados ao fast fashion.
Cinco maiores baixas do IBOV
1. BRKM5: -13,11%.
2. EMBJ3: -1,89%.
3. YDUQ3: -1,69%.
4. CSNA3: -1,55%.
5. CMIN3: -1,51%.
Braskem: recuperação extrajudicial e exclusão de índices
A BRKM5 despencou 13,11%. A companhia protocolou pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida informada em aproximadamente US$ 10,9 bilhões. Após o enquadramento da empresa em situação especial, a B3 anunciou sua retirada de 18 índices, entre eles Ibovespa, IBrX, SMLL e ISE. Fundos que replicam essas carteiras podem precisar vender o papel, o que acrescenta pressão técnica à preocupação com a dívida.
O caso financeiro não pode apagar a responsabilidade socioambiental. A Braskem responde pelos danos provocados pela mineração de sal-gema em Maceió, que causaram afundamento do solo, deslocamento de comunidades e perda de territórios urbanos. Credores e acionistas não são os únicos públicos afetados: reparação integral, transparência e participação das pessoas atingidas devem permanecer centrais em qualquer reestruturação.
Embraer: queda moderada sem notícia nova suficiente
A EMBJ3 perdeu 1,89%. A ação havia sido incluída em recomendação semanal de compra do Safra no dia anterior, mas isso não explica a baixa. Não foi encontrado anúncio corporativo novo e material em 25 de agosto que permita vincular a variação a um único fato.
A Embraer participa também do mercado de defesa. Contratos militares exigem escrutínio sobre usuários finais, direitos humanos, transparência e riscos de emprego de aeronaves e sistemas em conflitos armados. Valor para acionistas não deve tornar invisíveis os efeitos humanitários da indústria bélica.
Yduqs: oscilação após anúncio de financiamento
A YDUQ3 caiu 1,69%. A empresa havia informado uma emissão de R$ 1,17 bilhão em debêntures, operação que altera seu perfil de financiamento. Ainda assim, não há evidência suficiente para afirmar que a emissão explique, sozinha, a baixa: a ação também realizou parte da forte alta do pregão anterior.
CSN e CSN Mineração: minério e petróleo limitaram empresas de commodities
A CSNA3 e a CMIN3 recuaram 1,55% e 1,51%. Não foi localizado fato relevante específico divulgado por uma das duas empresas no dia. A queda ocorreu em um pregão no qual produtoras de commodities tiveram desempenho mais fraco que bancos, varejo e construção.
Mineração e siderurgia carregam riscos de emissões, uso intensivo de água, barragens, saúde ocupacional e impactos sobre territórios e comunidades. A avaliação de CSN e CSN Mineração deve considerar segurança operacional, recuperação de áreas, emissões absolutas, consulta a comunidades e transparência de passivos — não somente preço do minério e geração de caixa.
SMLL, IFIX e índices ESG da B3
O SMLL, que reúne empresas de menor capitalização, avançou 2,58%, aos 2.134,68 pontos. O ganho acima do Ibovespa confirma que o apetite por risco alcançou empresas menores. O IFIX subiu 0,62%, para 3.700,71 pontos, favorecido pela queda das taxas de juros futuras.
Todos os cinco índices ligados a sustentabilidade, carbono, diversidade, relações de trabalho e infraestrutura ESG acompanhados pela Muthua fecharam em alta:
• ISE B3: +2,36%, aos 4.151,91 pontos;
• ICO2 B3: +2,26%, aos 3.116,23 pontos;
• IDIVERSA B3: +2,41%, aos 1.459,39 pontos;
• IGPTW B3: +2,66%, aos 1.284,02 pontos;
• Índice de Debêntures de Infraestrutura ESG (IFES): +2,19%, aos 6.557,60 pontos.
Uma alta desses índices não mede, por si só, avanço socioambiental. Carteiras ESG usam metodologias financeiras e de elegibilidade, mas não certificam ausência de dano. É necessário verificar emissões absolutas, direitos trabalhistas, diversidade no poder decisório, impactos territoriais e qualidade da governança de cada empresa.
Estados Unidos, Europa, Argentina e Ásia
Estados Unidos
Wall Street fechou em alta, apoiada pela queda do petróleo e dos juros dos títulos públicos. O S&P 500 ganhou 0,32%, aos 7.677,28 pontos; o Dow Jones avançou 0,30%, aos 53.577,40; e o Nasdaq subiu 0,66%, para 26.151,30 pontos. O Russell 2000, de empresas menores, ganhou 0,50%, aos 3.010,02.
A tecnologia avançou cerca de 1% antes do balanço da Nvidia, enquanto energia caiu aproximadamente 1,7%. A valorização associada à inteligência artificial deve ser acompanhada de cobrança sobre consumo de energia e água, concentração de poder, condições na cadeia de chips, vigilância e uso militar de sistemas de IA.
Europa
O Stoxx Europe 600 subiu 0,35%, aos 656,48 pontos. O DAX, de Frankfurt, avançou 0,61%, aos 26.266,14; o FTSE 100, de Londres, ganhou 0,29%, aos 10.886,16; e o Euro Stoxx 50 subiu 0,12%, aos 6.455,63. O CAC 40, de Paris, destoou e caiu 0,16%, aos 8.439,20.
As bolsas receberam apoio de sanções norte-americanas ao Irã menos duras do que o mercado temia e da queda do petróleo. Saúde e indústria lideraram, enquanto luxo recuou. O alívio financeiro associado à energia mais barata não elimina o custo humano das guerras nem a urgência de reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Argentina
O S&P Merval subiu 0,46%, aos 3.009.028,71 pontos. Retornos nominais em pesos argentinos exigem cautela: inflação e câmbio podem alterar profundamente o ganho real e tornam inadequada uma comparação direta com índices denominados em outras moedas.
Ásia
As principais bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta:
• Nikkei 225, do Japão: +0,50%, aos 65.856,43 pontos;
• Topix, do Japão: +0,50%, aos 4.093,67 pontos;
• Shanghai Composite, da China: +0,19%, aos 3.889,44 pontos;
• CSI 300, da China: -0,24%, aos 4.552,03 pontos;
• Hang Seng, de Hong Kong: praticamente estável, aos 25.511,10 pontos;
• Kospi, da Coreia do Sul: +0,68%, aos 6.742,74 pontos;
• Taiex, de Taiwan: +0,91%, aos 45.169,46 pontos.
A divergência entre Shanghai Composite e CSI 300 mostra que “China” não se move como um bloco único. Composição setorial, tamanho das empresas e exposição a políticas industriais mudam a leitura de cada índice.
O que explica o movimento
O pregão combinou cinco forças principais:
1. Alívio global: petróleo e juros dos títulos norte-americanos caíram, reduzindo parte da pressão sobre inflação e custo de capital.
2. Varejo e construção: empresas sensíveis a crédito dominaram as altas, acompanhando o recuo das taxas futuras.
3. Bancos e Vale: ações de grande peso ajudaram o Ibovespa a sustentar a quinta alta consecutiva.
4. Braskem: recuperação extrajudicial e exclusão de índices explicaram a queda muito mais intensa de BRKM5.
5. Amplitude: SMLL, IFIX e os cinco índices ESG acompanhados também subiram. Isso mostra uma alta disseminada, mas não significa melhora automática da economia real, do emprego ou das condições socioambientais.
Glossário rápido
Debênture: título de dívida emitido por uma empresa. O investidor empresta recursos e recebe juros, assumindo o risco de crédito da companhia.
Juros futuros: taxas negociadas para diferentes prazos. Elas refletem expectativas sobre inflação, política monetária e risco e influenciam o valor presente de empresas e imóveis.
Recuperação extrajudicial: negociação de reestruturação de dívidas com credores, posteriormente submetida à homologação judicial. Não é sinônimo de falência.
Small caps: empresas de menor valor de mercado e, em geral, menor liquidez que as maiores companhias da bolsa.
Treasuries: títulos públicos dos Estados Unidos. Suas taxas servem de referência para o custo do dinheiro e a avaliação de ativos no mundo.
Perguntas frequentes
Quanto subiu o Ibovespa em 25 de agosto de 2026?
O Ibovespa subiu 1,55% e fechou aos 174.576,80 pontos.
Quais foram as maiores altas do IBOV?
MGLU3, ASAI3, CURY3, RADL3 e CEAB3 registraram as cinco maiores altas do índice.
Quais foram as maiores quedas do IBOV?
BRKM5, EMBJ3, YDUQ3, CSNA3 e CMIN3 tiveram as cinco maiores baixas do Ibovespa.
Por que a BRKM5 caiu?
A Braskem pediu recuperação extrajudicial para reestruturar dívidas e foi excluída pela B3 de vários índices. Os dois fatos aumentaram a preocupação financeira e a pressão técnica sobre a ação.
Como fecharam SMLL e IFIX?
O SMLL subiu 2,58%, aos 2.134,68 pontos, e o IFIX avançou 0,62%, aos 3.700,71 pontos.
Esta matéria é uma recomendação de investimento?
Não. O conteúdo é jornalístico e educativo. Decisões de investimento exigem avaliação individual de objetivos, riscos e situação financeira.
Fontes consultadas: B3/Bora Investir; séries históricas oficiais de índices da B3; Reuters; Exame; CNN Brasil; Associated Press; UOL Economia; Banco do Brasil/InvesTalk; Valor Investe; relações com investidores e comunicados públicos das companhias; STOXX; London Stock Exchange; Nikkei; Shanghai Stock Exchange; Taiwan Stock Exchange; Korea Times; Cinco Días/El País; El Cronista; Datosmacro; Investing e ADVFN. Dados verificados em 1º de setembro de 2026. Variações podem divergir por arredondamento, metodologia ou horário de captura.
Sobre o autor

Pesquisador, comunicador e editor da Muthua, dedicado a negócios e investimentos de impacto e à construção de informação acessível, crítica, verificável e orientada ao interesse público.
Formação: Mestre em Administração e Negócios, MBA em Marketing, Branding e Growth e bacharel em Relações Públicas.
Temas de cobertura: negócios de impacto, investimentos de impacto, finanças sustentáveis, ESG e clima, políticas públicas e mercados.



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