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GFSA3 e BHIA3 despencam: veja as maiores quedas das Bolsas em julho de 2026

GFSA3 caiu 75,68% e BHIA3 recuou 29,73% em julho. Veja as maiores quedas de IBrA, Ibovespa, Small Caps, IFIX e o panorama global.

Ilustração editorial com cinco barras descendentes, gráficos e sinais de volatilidade em verde, areia e terracota.

Gafisa (GFSA3) e Grupo Casas Bahia (BHIA3) concentraram as quedas mais fortes do universo amplo da Bolsa brasileira em julho. No Ibovespa, Direcional (DIRR3), Engie Brasil (EGIE3) e Cury (CURY3) ocuparam as três primeiras posições negativas. O mês terminou positivo para o índice principal, mas negativo para Small Caps e IFIX — uma combinação que revela forte dispersão entre setores e empresas.

Este levantamento da Muthua mede retorno de preço entre os fechamentos de 30 de junho e 31 de julho de 2026. O recorte “Bolsa brasileira como um todo” corresponde ao Índice Brasil Amplo (IBrA) da carteira oficial vigente. Ibovespa, SMLL e IFIX aparecem separadamente; por isso, alguns tickers se repetem.

Julho em um minuto

  • Ibovespa: +3,47%, de 172.024,12 para 177.999,00 pontos.
  • Small Caps (SMLL): -0,77%, de 2.200,03 para 2.183,13 pontos.
  • IFIX: -0,32%, de 3.830,59 para 3.818,52 pontos.
  • Maior queda no IBrA: GFSA3, -75,68%.
  • Maior queda no Ibovespa: DIRR3, -18,46%.
  • Maior queda no SMLL: GFSA3, -75,68%.
  • Maior queda entre os FIIs do IFIX: CACR11, -42,39%.

Os índices foram conferidos na série diária oficial da B3. O universo de cada ranking segue a carteira de índices divulgada pela B3.

As cinco maiores quedas da Bolsa brasileira

1. GFSA3 — Gafisa: -75,68%. A incorporadora atravessou julho sob pressão de uma disputa de governança, assembleia extraordinária para mudanças nos conselhos e efeitos de um aumento de capital por subscrição privada anunciado em junho. O papel perdeu 31% em 6 de julho e encerrou o mês a R$ 0,72, ante R$ 2,96 no fim de junho.

2. BHIA3 — Grupo Casas Bahia: -29,73%. A varejista de eletroeletrônicos, móveis e serviços financeiros continuou exposta a juros altos, renda do consumidor e execução de sua reestruturação. O ranking registra a variação; não atribui todo o movimento a um único fato.

3. TTEN3 — 3tentos: -21,85%. A companhia atua em insumos agrícolas, originação e processamento de grãos e biocombustíveis. A maior parte da queda mensal concentrou-se nos últimos pregões, com recuos de 16,01% em 28 de julho e 6,09% em 29 de julho.

4. DIRR3 — Direcional: -18,46%. A construtora divulgou prévia operacional do segundo trimestre classificada como mista por analistas. A ação reagiu negativamente no início do mês, embora tenha recuperado parte das perdas no fim de julho com a melhora das expectativas para juros.

5. QUAL3 — Qualicorp: -17,74%. A administradora de planos de saúde coletivos permaneceu entre as small caps de pior desempenho no período.

As cinco maiores quedas do Ibovespa

1. DIRR3 — Direcional: -18,46%. Construção residencial, com forte presença em habitação econômica.

2. EGIE3 — Engie Brasil Energia: -14,44%. Geração, comercialização e infraestrutura de energia.

3. CURY3 — Cury: -14,18%. Construção residencial. A prévia operacional do segundo trimestre veio abaixo das expectativas de parte do mercado e pressionou o papel em 8 de julho.

4. USIM5 — Usiminas: -12,90%. Produção de aços planos, mineração e transformação de aço.

5. CEAB3 — C&A Modas: -12,19%. Varejo de vestuário, moda e serviços financeiros.

A lista negativa do Ibovespa combinou empresas sensíveis a juros e consumo, como construtoras e varejo, com nomes de energia e siderurgia. A dispersão ocorreu mesmo com o índice em alta, apoiado em outros momentos por bancos, Vale, Petrobras e ações com resultados ou dados operacionais mais bem recebidos.

As cinco maiores quedas do índice Small Cap

1. GFSA3 — Gafisa: -75,68%. Incorporação e construção residencial; o mês foi marcado por aumento de capital e disputa de governança.

2. BHIA3 — Grupo Casas Bahia: -29,73%. Varejo de bens duráveis e serviços.

3. TTEN3 — 3tentos: -21,85%. Agronegócio, insumos, grãos e biocombustíveis.

4. DIRR3 — Direcional: -18,46%. Construção residencial.

5. QUAL3 — Qualicorp: -17,74%. Administração de benefícios de saúde.

O SMLL caiu 0,77% em julho, enquanto o Ibovespa subiu 3,47%. A diferença sugere que o mês favoreceu mais algumas empresas de grande capitalização do que o conjunto das companhias menores.

Os cinco FIIs com maiores quedas dentro do IFIX

1. CACR11 — Cartesia Recebíveis Imobiliários: -42,39%. O fundo de recebíveis já vinha pressionado depois de suspender distribuições e continuou no centro das preocupações com risco de crédito.

2. BBIG11 — FII BBIG: -13,25%. Fundo integrante da carteira oficial do IFIX no período.

3. TRBL11 — Tellus Rio Bravo Renda Logística: -8,05%. Fundo com exposição a imóveis logísticos.

4. HGRE11 — Pátria Escritórios: -7,12%. Fundo de lajes corporativas.

5. BROF11 — BTG Pactual Corporate Office Fund: -6,46%. Fundo de escritórios corporativos.

O IFIX caiu 0,32% no mês. O índice da B3 é de retorno total, enquanto a lista acima mostra apenas a oscilação de preço das cotas. Proventos, amortizações e eventos específicos precisam ser considerados separadamente numa análise de retorno econômico.

Por que julho teve vencedores e perdedores tão distantes

O principal índice brasileiro terminou o mês em alta, mas o ambiente permaneceu seletivo. A trajetória dos juros domésticos, os preços de petróleo e minério, a temporada de resultados e as tensões entre Estados Unidos e Irã mudaram a liderança da Bolsa de uma sessão para outra.

Um IPCA abaixo do esperado em junho sustentou expectativas de novos cortes da Selic e produziu sessões de recuperação em ações sensíveis ao crédito. Ao mesmo tempo, prévias operacionais e notícias societárias desfavoráveis provocaram quedas concentradas, como nos casos de construtoras e Gafisa.

No exterior, as oscilações do petróleo afetaram expectativas de inflação, juros e atividade. O alívio das hostilidades no fim do mês derrubou o óleo e favoreceu bancos e Vale no Brasil, mas pesou sobre ações de petrolíferas. A guerra também manteve elevados os custos e riscos associados ao Estreito de Ormuz.

Como ficaram as principais Bolsas no mundo

  • Estados Unidos: S&P 500 -0,13%; Dow Jones +0,32%; Nasdaq Composite -3,20%.
  • Reino Unido: FTSE 100 +3,53%.
  • Itália: FTSE MIB +0,95%.
  • Espanha: IBEX 35 +1,60%.
  • Zona do euro: Euro Stoxx 50 +0,47%.
  • Portugal: PSI -0,18%.
  • França: CAC 40 +1,26%.
  • China continental: Shanghai Composite -6,40%.
  • Hong Kong: Hang Seng +13,13%.
  • Japão: Nikkei 225 -8,14%.
  • Coreia do Sul: KOSPI -22,19%.
  • Argentina: S&P Merval +3,87%.
  • México: S&P/BMV IPC -0,04%.

O Nasdaq recuou 3,20% com a correção de ações ligadas a semicondutores e dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial. O S&P 500 ficou praticamente estável, e o Dow teve leve alta. As Bolsas europeias pesquisadas avançaram moderadamente, com exceção do PSI português.

Na Ásia, a queda de 22,19% do KOSPI e de 8,14% do Nikkei refletiu principalmente a liquidação das ações de tecnologia e chips após uma valorização muito forte no primeiro semestre. A China continental também perdeu terreno, enquanto Hong Kong se descolou e subiu 13,13%.

O que acompanhar em agosto

Os próximos vetores para a Bolsa brasileira são a comunicação do Copom, inflação, câmbio e a conclusão da temporada de resultados do segundo trimestre. Empresas que caíram por uma notícia pontual poderão reagir a balanços e projeções; aquelas pressionadas por problemas estruturais continuam exigindo leitura mais cuidadosa.

No exterior, petróleo, inflação e atividade permanecem no centro das decisões. A volatilidade do óleo afeta desde custos de transporte até a margem de empresas, enquanto os resultados das grandes companhias de tecnologia testam a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial.

Esta reportagem tem finalidade exclusivamente informativa e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Retorno passado não garante desempenho futuro.

Metodologia e fontes

Carteiras e séries de Ibovespa, SMLL e IFIX: B3. Séries de preços por ativo e índices internacionais: endpoint histórico do Yahoo Finance, com conferência amostral em fontes independentes. Contexto de mercado e empresas: Reuters, Associated Press, Banco Central do Brasil, B3, CVM e comunicados corporativos. Cálculos da Muthua, arredondados a duas casas decimais.

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